O empresário Bento Kangamba volta a estar no centro de mais uma polémica que envergonha o desporto nacional. Desta vez, o caso ultrapassa fronteiras e chega à FIFA, expondo práticas de gestão consideradas irresponsáveis e altamente lesivas à credibilidade do futebol angolano.
O Kabuscorp do Palanca, clube ligado ao empresário, foi oficialmente notificado pelo órgão máximo do futebol mundial para responder, até ao dia 3 de Março, a um processo instaurado pelo futebolista congolês Dieu Merci Tshisuaka, que acusa o emblema de incumprimento contratual grave.
De acordo com informações apuradas, o atleta terá sido contratado para representar o Kabuscorp por três épocas, com um salário mensal considerado elevado.
No entanto, após sofrer uma lesão ao serviço do clube, o jogador afirma ter sido completamente abandonado, sem qualquer assistência médica, social ou institucional durante o período de recuperação — numa clara violação dos deveres básicos de qualquer entidade empregadora desportiva.
Além do alegado abandono, o futebolista denuncia cortes salariais arbitrários e afirma ter sido posteriormente informado de que já não fazia parte dos planos do clube, numa atitude considerada abusiva, desumana e contrária às normas internacionais que regem o futebol profissional.
O processo actualmente em curso na FIFA inclui a exigência do pagamento de salários em atraso, indemnização por rescisão unilateral sem justa causa e juros legais, perfazendo um montante que ronda os 72 milhões de kwanzas — valor que, mais do que números, representa o custo da má gestão e do desrespeito pelos direitos dos atletas.
Este novo episódio vem reforçar a imagem negativa que Bento Kangamba tem vindo a construir ao longo dos anos no desporto nacional, marcada por conflitos, processos judiciais e recorrentes queixas de jogadores e técnicos.
Para analistas desportivos, situações como esta afastam investidores, desacreditam os clubes angolanos e colocam Angola sob escrutínio permanente das instâncias internacionais.
Caso o Kabuscorp não responda dentro do prazo estipulado, o clube poderá enfrentar sanções severas, incluindo multas pesadas, proibição de inscrição de jogadores e outras penalizações disciplinares, agravando ainda mais uma crise que muitos consideram totalmente evitável.