Home Sociedade “Ministro do Interior vira influencer digital enquanto angola enterra vítimas das suas estradas”

“Ministro do Interior vira influencer digital enquanto angola enterra vítimas das suas estradas”

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A mais recente marcha de“conscientização” contra a sinistralidade rodoviária, promovida pelo Ministério do Interior, reacendeu um intenso debate público.  Enquanto o ministro desfila à frente das câmaras e se comporta como uma espécie de “influencer digital do governo”, as ruas do país continuam a ser palco de tragédias evitáveis.

Segundo reações recolhidas pelo Informante,  a sociedade civil demonstra crescente indignação com o que considera ser uma encenação política. Nas palavras de um manifestante ouvido durante a marcha, “não precisamos de ministros em desfile, precisamos de ministros que trabalhem”.

“Marchas não tapam buracos, as marchas têm mérito simbólico, mas a paciência popular está a esgotar-se. “É vergonhoso continuar a culpar apenas o cidadão, quando a própria máquina do Estado é responsável pela morte de milhares de inocentes todos os anos”, denunciaram, ao Informante.

Os discursos oficiais apontam o dedo ao comportamento dos condutores, mas ignoram a corrupção, o desvio de fundos e a ausência de manutenção das vias. Fontes internas indicam que milhões de kwanzas destinados à requalificação rodoviária desaparecem anualmente sem explicação convincente.

UM PAÍS A CONDUZIR NA FÉ

Em pleno século XXI, Angola continua a circular às cegas:

Do 44 ao 25, a escuridão é total;

De Viana ao Primeiro de Maio, o mesmo cenário;

Do Zango à Vila de Cacuaco, trechos sem iluminação e sem sinalização;

Do Aeroporto ao Rocha Pinto, buracos que mais parecem crateras lunares.

Em vez de enfrentar esses problemas estruturais, o Ministro do Interior prefere investir em imagem pública e presença digital, com vídeos, slogans e marchas, numa tentativa de projetar popularidade num país cansado de encenações.

“MINISTRO DAS SELFIES PERDE RESPEITO DA RUA”

Nas redes sociais, o ministro já ganhou um novo apelido entre internautas: “o ministro das selfies”. As críticas acumulam-se, questionando a prioridade dada ao marketing político em detrimento da gestão eficaz.

“O cidadão não pode ser culpado por conduzir no escuro, por cair num buraco ou por morrer numa estrada sem sinalização. A culpa é da má gestão e da indiferença governamental”,

APELO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Face à crescente revolta pública, várias vozes apelam diretamente ao Presidente da República:

“Senhor Presidente, o país não precisa de ministros influenciadores — precisa de líderes sérios, que enfrentem os problemas e não os filtrem para as redes sociais”, afirmou um representante da sociedade civil ouvido pelo Informante.

A sinistralidade rodoviária em Angola já atingiu níveis de calamidade nacional. Continuar a transformar dor em espetáculo é desrespeitar as vítimas e suas famílias.

A sociedade civil apela para que a próxima marcha seja pela requalificação das vias, pela transparência na aplicação das taxas de circulação e pela responsabilização política de quem falhou.

Porque, no fim, não basta marchar — é preciso governar.

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