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Guerra no Mirex: funcionários prometem expor escândalo e reabrir dossiês arquivados

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A turbulência no Ministério das Relações Exteriores (MIREX) ameaça transformar-se num dos maiores escândalos administrativos da história recente da diplomacia angolana.

Segundo informações obtidas com exclusividade por este Jornal, funcionários revoltados com o processo de condecorações oficiais , considerado “injusto, viciado e politicamente manipulado”, estão prontos para romper o silêncio e trazer à tona dossiês arquivados há anos, expondo alegados esquemas de corrupçã0, favorecimento e má gestão.

Entre os nomes que ressurgem das gavetas do MIREX, um volta a gerar polémica: Belo Mangueira, ex-Cônsul Geral de Angola em São Paulo, Brasil. Fontes internas acusam-no de ter protagonizado uma série de irregularidades financeiras e administrativas durante o período em que chefiou o consulado, entre 2012 e 2016.

De acordo com documentos e testemunhos recolhidos pelo Informante, Belo Mangueira assumiu o posto com a responsabilidade de gerir mais de 200 milhões de dólares destinados à compra e reabilitação de um imóvel consular e à aquisição de cinco viaturas executivas. No entanto, após as aquisições, marcadas por subfacturação e contratos questionáveis, o valor efetivamente gasto teria ficado muito abaixo do montante disponibilizado, deixando um rastro de suspeitas sobre o paradeiro de dezenas de milhões de dólares.

Fontes afirmam que parte do dinheiro “evaporado” teria sido transportado manualmente por funcionários de confiança do cônsul, em viagens fictícias entre São Paulo e Luanda, disfarçadas como missões oficiais.

O Informante  apurou que, nesse mesmo período, Mangueira teria estabelecido parcerias empresariais no Brasil e em Angola, incluindo a criação de uma fábrica de sumos e extratos de tomate na zona industrial de Viana, alegadamente financiada com fundos desviados.

Durante a sua gestão, Belo Mangueira também é acusado de uso indevido de recursos públicos para fins pessoais, de levar acompanhantes em viagens oficiais disfarçadas de funcionárias e de cortar benefícios essenciais dos diplomatas em missão, como assistência médica e apoio educacional aos filhos.

Uma das vítimas mais marcantes desse corte foi a então vice-cônsul Alice Mendonça, que, segundo relatos, morreu de cancro sem apoio institucional, sendo assistida por estudantes angolanos em São Paulo.

As denúncias vão além: em 2016, o ex-cônsul teria sido assaltado em casa, num bairro nobre de São Paulo, onde guardava mais de 30 mil dólares em numerário , valor que, segundo fontes, seria parte de fundos desviados. O crime nunca foi esclarecido, e há quem acredite que tenha sido “um acerto de contas interno”.

Apesar das suspeitas, Belo Mangueira nunca foi formalmente investigado, tendo regressado a Angola sem responder judicialmente pelas acusações. Agora, com o clima de rebelião interna no MIREX, funcionários exigem a intervenção da Procuradoria-Geral da República e prometem apresentar provas documentais das irregularidades.

“O povo angolano tem o direito de saber como foi gerido o seu dinheiro. Não se pode continuar a premiar quem lesou o Estado”, declarou uma fonte do ministério ao Agita News, sob anonimato.

Enquanto o MIREX prepara-se para as comemorações dos 50 anos da independência, o escândalo ameaça ofuscar o simbolismo da data e abalar as estruturas da diplomacia nacional.

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